A Pictopsicografia, ou Pintura Mediúnica — termo que passei a utilizar para tornar o assunto mais acessível — faz parte da minha trajetória artística e de pesquisa há muitos anos.
Em 2016, diante da quantidade de pessoas que chegavam até mim buscando compreender o que de fato era a Pictopsicografia, escrevi, a partir da minha própria experiência, o texto “O Fenômeno da Pictopsicografia”.
Naquele período, havia muito pouco material disponível sobre o assunto nas plataformas de pesquisa. Eu ainda assinava meus trabalhos como Jheine Alves e, em determinados contextos, como Adjunto Ovalã, nome ligado à minha consagração no Vale do Amanhecer.
O texto começou a circular também em PDF e acabou sendo reproduzido em diferentes espaços da internet, muitas vezes sem os devidos créditos. Anos depois, o tema tornou-se também objeto da minha pesquisa acadêmica em Artes Visuais.
Esta publicação recupera esse registro em seu lugar de origem autoral e o reinsere no percurso que, posteriormente, também aderí sob o conceito de Transmissão Plástica.
Khalreon Ylron (Jheine Alves)
O Fenômeno da Pictopsicografia
A Pictopsicografia é a capacidade de canalizar energias e transformá-las em imagens, é um fator mediúnico, pode-se dizer também que é a retratação de imagens de um plano diferente, seja ele Etérico, Astral, Angelical, etc. Estas reproduções pictopsicográficas podem ser de Seres das mais diversas hierarquias e graus evolutivos, objetos, símbolos e códigos, paisagens, etc. A Pictopsicografia é antes de tudo um compromisso do médium com a espiritualidade, ele é o relator dos planos espirituais na Terra. É aquele que simbolicamente falando faz o retrato-falado do que pertence a outros “mundos”. Muitos procuram este médium a fim de retratar seus mentores, então esta é uma das funções desta mediunidade. Buscar no íntimo daquela pessoa, o(s) mentor(res) que o acompanha(m) nesta jornada, espíritos que não necessariamente é seu mentor, mas que tem uma afinidade, sua própria expressão galáctica, angelical, etc. É uma experiência sem tamanho. O recebimento de uma pintura traz consigo uma felicidade e muitos o têm como o primeiro encontro com o mentor, é algo muito íntimo e de múltiplas reações. Além desta função e uma das principais, há também a de trazer uma mensagem, trazer um esclarecimento diante de cenários, símbolos, objetos, entre outros, possibilitando também acesso a memórias transcendentais, ela possui chaves específicas que no momento oportuno ativam e agem como desbloqueadoras do que precisa ser desbloqueado. Tudo isso claro, necessita de uma conexão pessoal com a pintura. A pintura de um mentor é um importante ponto de força e, portanto age diretamente no ambiente promovendo equilíbrio e por vezes cura àqueles que transitam pelo lugar em que ela está fixada.
Fiz uma pequena ilustração que pode ser vista logo abaixo, nela você nota que a entidade que está sendo retratada direciona sua energia para o chacra frontal do médium, estimulando-o a visualizar mentalmente a imagem do que a entidade quer que ele “enxergue”, como exemplo posso citar a pintura de um mentor só o busto ou o corpo inteiro. O médium “busca” até onde lhe é permitido, não é opcional. Juntamente com este estímulo mental há também o do movimento da mão que o médium utiliza para retratar. Muitas vezes movimentos quase involuntários, no sentido de querer fazer algo e sair outro completamente diferente do que planejava, é este importante fator que torna a pintura do seu mentor que apesar de pertencer a uma falange imensa, ser única, com traços únicos e assinatura energética única também.

Figura 1 — ALVES, Jheine. Acervo pessoal, 2016. Pintura digital.
Quando se solicita uma pintura, ou até mesmo se pensa em retratar o seu mentor, quase que automaticamente o solicitante direciona essa energia e seu mentor dentro do momento oportuno já se encaminha para aquele que o ilustrará. Muitas vezes o mentor se antecipa em se apresentar e quando o seu filho(a) chega, a pintura já está pronta à sua espera, mas isso para casos específicos e de raros acontecimentos. Então caro leitor, perceba que o médium pictopsicógrafo visualiza a imagem mentalmente (através de uma tela mental). O médium reproduz as informações que o chegam como já explicado acima, das mais diversas naturezas. Muitas vezes, a pessoa que solicitou a sua pintura é quem confirma a veracidade, fato comum, pois muitos sonham dias antes de receber. Salve Deus! (ALVES, 2016)
Nota editorial — Este texto foi originalmente escrito em 23 de dezembro de 2016, a partir da experiência de Jheine Alves (Khalreon) com a Pictopsicografia. O material circulou posteriormente em formato PDF e foi reproduzido em diferentes espaços da internet.
Da Pictopsicografia à Transmissão Plástica
Com o passar dos anos, minha compreensão sobre a Pictopsicografia foi se ampliando junto com a própria experiência. A prática, a pesquisa e tudo aquilo que fui vivenciando através da arte me fizeram olhar para esse fenômeno por outros ângulos. Nesse percurso, a expressão Transmissão Plástica chegou até mim a partir das comunicações do P1 — Plêiades 1, nas quais apareciam os chamados Transmissores Plásticos.
A relação entre esse trabalho e a Transmissão Plástica foi registrada publicamente em 2020 pelo Sementes das Estrelas, em uma publicação que me apresenta como artista pictopsicográfico e Transmissor Plástico. Ver registro de 2020 →
Em meus escritos, ela aparece relacionada à Pintura Mediúnica, ao Desenho Mediúnico, à Pictopsicografia e à Psicopictografia. São nomes que surgiram em momentos e contextos diferentes para tentar falar de algo que, muitas vezes, é muito maior do que a própria palavra consegue explicar. Em essência, estamos falando da possibilidade de transformar percepções, energias e informações em imagens. E essas imagens não precisam ser apenas retratos. Podem surgir seres, símbolos, códigos, paisagens, objetos, formas abstratas ou qualquer outra representação que se apresente durante o processo.
Desde os meus primeiros textos, costumo dizer que a Pictopsicografia é, antes de tudo, um compromisso do médium com a espiritualidade. Gosto da imagem do médium como uma espécie de relator dos planos espirituais na Terra, alguém que procura tornar visível aquilo que percebe para além do que os olhos normalmente alcançam. Essa ideia já estava presente no que escrevi anos atrás e continua fazendo sentido para mim.
Talvez por isso eu nunca tenha conseguido separar completamente Arte e Espiritualidade. A arte tem essa capacidade de atravessar aquilo que é cotidiano e tocar lugares mais profundos da nossa experiência. Cores, formas, texturas e imagens se tornam uma linguagem para coisas que nem sempre conseguimos explicar através da palavra.
É nesse lugar que compreendo a Transmissão Plástica.
Não significa abandonar a técnica. Muito pelo contrário. Quanto mais conhecemos os materiais e as possibilidades da linguagem artística, mais recursos temos para dar forma ao que percebemos. Mas existe um momento em que é preciso permitir que o controle dê espaço à experiência. Uma orientação que sempre compartilhei resume isso de maneira muito simples: deixar fluir.
Deixar que a imagem encontre seu caminho. Observar o que surge sem tentar enquadrar imediatamente a experiência dentro daquilo que já conhecemos. Às vezes compreendemos o que foi produzido no mesmo instante; outras vezes, o sentido aparece muito tempo depois.
E existe uma dimensão desse processo que considero importante não apagar: a cura.
Durante muito tempo, determinados saberes espirituais e ritualísticos foram tratados como se não tivessem lugar quando se fala de conhecimento. No entanto, basta observar a história das práticas espiritualistas, das casas espíritas e de tantas outras tradições para perceber que espiritualidade, acolhimento, equilíbrio e cura frequentemente caminharam juntos.
Quando utilizo a palavra cura nesse contexto, não estou falando necessariamente de cura no sentido clínico. Falo também daquilo que acontece internamente quando alguma coisa encontra um lugar, quando uma experiência ganha significado, quando há reconexão, equilíbrio ou transformação. A arte pode participar desse movimento.
Em outro texto, A Transmissão Plástica no Despertar da Consciência, escrevi que a pintura mediúnica pode proporcionar “cura, equilíbrio e conexão com o divino”. Essa compreensão continua fazendo parte do meu trabalho.
Também não considero necessário estabelecer fronteiras rígidas entre todas essas denominações. Em diferentes momentos utilizei Pictopsicografia, Pintura Mediúnica, Psicopictografia, Desenho Mediúnico e Transmissão Plástica. Meu próprio material registra essa relação entre os termos. O mais importante para mim nunca foi criar uma nova palavra, mas compreender melhor o fenômeno e aquilo que ele pode revelar através da arte.
O Fenômeno da Pictopsicografia, escrito em 2016, pertence a esse percurso. Foi uma tentativa de organizar aquilo que eu já experimentava e responder às pessoas que chegavam até mim querendo compreender o que estava acontecendo. Depois vieram a pesquisa acadêmica, outras experiências, novos trabalhos e novas formas de olhar para a mesma questão.
Hoje, quando volto àquele texto, não o vejo como algo encerrado. Vejo como um registro de onde eu estava naquele momento e de uma pesquisa que continuou acontecendo na própria vida.
Talvez seja justamente isso que mais me interesse na Transmissão Plástica: ela não oferece uma conclusão pronta. Ela continua me fazendo observar, experimentar e perguntar.
E talvez seja assim que deva ser.
Khalreon Ylron

